CONSTRUÇÃO DE CASAS É ARMA NO COMBATE À FOME E À MISÉRIA

Construir 500 mil casas populares em um ano em todo o país, sem precisar que o governo faça licitações ou gaste dinheiro. Parece difícil, mas tem tudo para dar certo utilizando um conceito básico: doação. O projeto "Um teto para quem precisa" foi criado pelo empresário Élio Demier, vice- presidente da empresa Mills Serviços de Construção Ltda., para fazer parte do programa do governo de Combate à Fome e à Miséria e já recebeu o aval do coordenador nacional do plano, o sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE, que defende a necessidade de se criar empregos para combater a fome. Segundo Demier, "tudo funcionará com a aliança de três forças: o governo, os empresários e as comunidades carentes". Pelo projeto, o governo daria os terrenos, os empresários doariam materiais e mão-de-obra técnica e as comunidades carentes construiriam as casas em sistema de mutirão. A área piloto, para a construção das primeiras casas, será Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. A prova de fogo do projeto será no próximo dia 25, na sede da CNI (Confederação Nacional da Indústria), no Rio, onde Betinho apresentará o projeto para os presidentes de 27 federações de indústria, mais o empresário Antônio Ermínio de Moraes, do Grupo Votorantim. "Veremos a receptividade do empresariado à proposta. Desta vez, não há desculpas como a falta de credibilidade. O Betinho está acima disso e os empresários para participar terão de dar uma contribuição real, doando materiais", disse Demier. Amanhã, ele se encontra com o prefeito de Duque de Caxias, Moacir do Carmo, quando pretende deixar definidas quais as áreas que o município poderá doar para as primeiras construções. "Caxias tem cerca de 100 favelas e será o pioneiro. A partir daí faremos os acertos necessários no projeto e esperamos espalhar a idéia por todo Brasil", garante o empresário. Segundo Demier, a CEF (Caixa Econômica Federal) pagará a mão-de-obra, representando os únicos recursos que serão gastos no projeto. "Nós precisamos que mais pessoas se unam ao plano com sugestões e novas idéias. Estou apenas dando o início. Com a construção das casas daremos moradia às comunidades carentes, emprego, salário e estaremos combatendo a fome", acrescentou. As casas populares construídas atualmente são de baixa qualidade e em
73775 menos de cinco anos já estão decadentes, precisando de reformas, conta Élio Demier. Para evitar problemas desse tipo, o projeto "Um teto para quem precisa" prevê a não padronização das casas. Ou seja, os modelos serão elaborados conforme as características regionais das várias partes do país, levando em consideração o material a ser usado, o clima e o tamanho das moradias (O Dia).