COLONOS DO PARÁ DENUNCIAM PRISÕES FEITAS PELA PM

No dia três deste mês, 100 soldados da Polícia Militar (PM) do Pará, comandados pelo coronel Antônio Carlos e chefiados pelo capitão Saldanha, prenderam 80 lavradores em quatro fazendas dos municípios de Paraúnas e Monte Santo (sul do Pará), região conhecida como Polígono do Castanhal. A acusação era de ocupação das propriedades das famílias Mitron, Chamiere, do coronel Castro e do Bamerindus. Sem mandado judicial, os soldados detiveram os lavradores por dois dias na Fazenda Bamerindus. A ação foi denominada pela PM de "Operação Desarmamento", mas compreendeu, ainda, a violentação de duas mulheres, incêndio de casas, furto de dinheiro e corte de cabelo de lavradores com facões. Além disto, os soldados obrigaram vários deles a comer fezes. Estas denúncias foram levadas ontem ao ministro da Reforma e Desenvolvimento Agrário (MIRAD), Dante de Oliveira, por uma comissão de lavradores, acompanhadas pelo coordenador da CPT (Comissão Pastoral da Terra) do Araguaia-Tocantins, padre Ricardo Bezerra, pelos deputados federais Ademir Andrade (PMDB-PA) e Luís Gushiken (PT-SP), além de três vereadores da região de Xingoara (sul do Pará) e representantes de sindicatos rurais e da CONTAG (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). De acordo com o padre da CPT, as áreas que correspondem ao Polígono do Castanhal estão sob a jurisdição do MIRAD. Ele disse que as quatro fazendas (o jornal não divulgou o nome delas) eram do governo do Pará, que expediu títulos de aforamento às famílias Mitron, Chamiere, Castro e ao Bamerindus, que agora reclamam a propriedade. Alguns dos lavradores, de acordo com o padre, vivem nas terras há 15 anos. A comissão que esteve ontem com o ministro pediu a desapropriação das 35 áreas de conflito que compreendem o Polígono do Castanhal para fins de reforma agrária (JB).