ODEBRECHT É ACUSADA DE DESMATAR MATA ATLÂNTICA

As entidades ambientalistas Greenpeace e SOS Mata Atlântica acusaram ontem a empresa Veracruz Florestal, do grupo Odebrecht, de estar desmatando áreas de Mata Atlântica no sul da Bahia para posterior plantio de eucalipto. A monocultura do eucalipto é destinada basicamente à indústria de celulose. Os ambientalistas apresentaram vídeo e fotos registrando o desmatamento. Segundo eles, o flagrante foi realizado na semana passada, próximo ao Município de Porto Seguro. A área desmatada não foi ainda dimensionada. A denúncia foi confirmada pelo Centro de Defesa dos Direitos Humanos Teixeira de Freitas, da Bahia. "A remoção de Mata Atlântica, inclusive em estágio inicial de regeneração, é proibida no Brasil", disse o diretor-executivo da SOS Mata Atlântica, João Paulo Capobianco. Para exemplificar o prejuízo ambiental, ele disse que o sul da Bahia, em termos de espécies arbórias, é considerado por estudo do Jardim Botânico de Nova Iorque (EUA) como a região de mais alta diversidade biológica do planeta. "Ali são encontradas 450 espécies diferentes por hectare. Na Amazônia peruana, que era considerada a primeira, são encontradas 300 espécies", disse. Os ambientalistas entregam hoje ao Ministério Público federal pedido para que promova ação civil pública contra a Veracruz Florestal, com liminar embargando imediatamente o desmatamento. Eles solicitaram ao IBAMA (Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis) intervenção na região, inclusive com o cálculo da área desmatada. Segundo os ambientalistas, a Veracruz possui até o momento uma área total de 47,1 mil hectares no sul da Bahia e pretende ocupar com a monocultura cerca de 62 mil hectares. Entre 1985 e 1990, em apenas quatro municípios do sul da Bahia (Porto Seguro, Santa Cruz de Cabrália, Guaratinga e Prado), foram desmatados mais hectares de Mata Atlântica (92.313) do que nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro juntos (92.299). Isto é um ecocídio", disse Capobianco. Além da Veracruz, e também da Bahia Sul Celulose, já instaladas, estariam projetadas mais quatro grandes fábricas de celulose para a região. "A próxima a se instalar pertence à empresa Belgo Mineira", revelou o padre José Joopmans, do CDDH. Segundo ele, a Bahia Sul, sozinha, recebeu do BNDES um financiamento de US$529 milhões, cinco vezes maior do que a média concedida aos demais projetos agropecuários (FSP) (JB).