VIOLÊNCIA PODE REDUZIR CRÉDITOS INTERNACIONAIS

Vários organismos financeiros internacionais, como o Banco Mundial e o Banco Interamericano de Desenvolvimento, já começam a fazer restrições à concessão de empréstimos ao Brasil, devido aos índices alarmantes de violência registrados nos últimos três anos, especialmente os casos de crimes coletivos (caso Carandiru, em São Paulo) e políticos, como a decapitação do vereador alagoano Renildo José dos Santos, crime ocorrido no dia 10 de março último e cujos autores, já identificados pela polícia, continuam soltos. A observação é do presidente nacional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), José Roberto Batocchio, para quem uma ação política crescente no plano internacional visando à adoção de restrições financeiras aos países mais violentos do mundo-- relação na qual hoje se inclui o Brasil- - é desenvolvida pela Anistia Internacional. Para ele, a pressão exercida pela Anistia sobre o Ministério da Justiça e diretamente à Presidência da República, a fim de que os crimes sejam apurados e os responsáveis punidos, "tem sido formidável". Batocchio acha que já é tempo de a Presidência da República adotar uma medida semelhante: "Por exemplo, condicionar a liberação de verbas para projetos dos estados à existência de respeito aos direitos humanos e, nessa linha, só liberar verbas para reequipamento de polícias militares que não violarem os direitos da cidadania. O presidente da OAB disse que, caso o governo atenda, num primeiro momento, à sua sugestão, o primeiro reflexo disso ocorreria na Polícia Militar de Alagoas, "onde 80% dos crimes de homicídio registrados nos últimos dois anos contam com a participação direta de policiais militares". Segundo ele, "a situação de Alagoas é tão dramática que começa a escapar ao controle do governo estadual, exigindo uma posição séria do governo federal", reconheceu (JB).