PT EXPULSA DEPUTADO POR CORRUPÇÃO

A direção nacional do PT está fazendo vista grossa a um escândalo inédito na história do partido: a expulsão, pelo Diretório Municipal de Manaus (AM), no dia 19 de abril, do deputado federal Ricardo Moraes (PT-AM) pela prática confessa de corrupção, escuta clandestina de telefones e invasão do Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus com um pé de cabra. O próprio deputado, que recorreu da expulsão, confessou os crimes por escrito em depoimento à comissão de ética do Diretório Municipal, no dia 31 de agosto de 1992, mas só foi expulso no mês passado. Moraes confirmou que comprou móveis e eletrodomésticos para uso pessoal em nome do PT, mas negou outras denúncias que provocaram sua expulsão. Ele também revelou o envolvimento de cinco deputados federais do PT em um episódio estranho: um pedido de empréstimo ao Sindicato dos Metalúrgicos de Manaus, que não recebeu o dinheiro de volta. Moraes acusou a ministra Luiza Erundina e o senador Eduardo Suplicy de terem feito pedidos semelhantes ao Sindicato dos Bancários de São Paulo. Ambos negam a acusação. O pedido de empréstimo ao Sindicato dos Metalúrgicos é o caso mais delicado para a direção nacional do PT. Os cinco deputados que assinam o pedido-- José Genoíno (SP), Valdir Ganzer (PA), Lourival Freitas (AP), Paulo Rocha (PA) e o próprio Moraes-- enviaram uma carta com o timbre da Câmara dos Deputados ao então presidente do sindicato, Raimundo Elson Melo Pinto-- expulso do partido junto com Moraes. A carta, datada de 13 de novembro de 1991 pede uma "colaboração" de Cr$9,4 milhões (em valores da época) para um seminário sobre Amazônia e Desenvolvimento, realizado em Manaus. Até agosto pelo menos, o empréstimo não havia sido pago. No seu depoimento, Moraes afirmou não poder comprovar que o dinheiro foi usado no seminário. Segundo ele, o presidente nacional do PT, Luís Inácio Lula da Silva, e o deputado federal José Dirceu (SP), sabiam da operação (O ESP).