O deputado estadual Carlos Minc (PT-RJ) preparou um mapa de 12 metros quadrados mostrando onde se concentra a maioria das 620 mil familias carentes-- cerca de três milhões de pessoas-- que estão passando fome no Estado do Rio de Janeiro. O mapa foi feito para implantação, no próximo dia 14, do Comitê Rio Contra a Fome. De acordo com o mapa, 350 mil famílias que não têm o que comer estão concentradas no município do Rio e Baixada Fluminense. Incluindo-se a região de Niterói e São Gonçalo, verifica-se que 60% das famílias carentes vivem na área do Grande Rio. A segunda região de maior concentração de miséria no estado é o Norte e Noroeste, onde se encontram 60 mil famílias carentes. Do mapa também constam informações sobre as áreas férteis, mas mal aproveitadas e as que sofrem mais danos ambientais, onde o solo sofre a ação de erosão e há abuso na utilização de agrotóxicos. Dentro das regiões mal aproveitadas para o cultivo de alimentos, o mapa mostra três áreas principais: os vales dos rios Macaé e São João, entre Nova Friburgo e a Região dos Lagos; no Norte Fluminense, onde a cultura da cana-de-açúcar ocupa todas as terras produtivas, e parte da Região Serrana. O Vale do Paraíba e o Centro-Norte Fluminense aparecem como as regiões mais afetadas pela erosão. De acordo com o mapa, o Norte Fluminense-- principalmente Campos-- é o campeão em queimadas e a Região Serrana tem o maior número de trabalhadores contaminados por agrotóxicos. Segundo o deputado, nos últimos 10 anos, 38 mil pessoas foram atingidas (O Globo).