A Procuradoria Geral da República estuda a possibilidade de processar a Comissão de Desestatização. Segundo levantamento dos procuradores, o governo perdeu US$376 milhões com as 18 empresas privatizadas até dezembro de 1992. A venda delas rendeu US$3,744 bilhões. Só 1,28% deste valor foi pago com dinheiro, aponta o estudo. Além disso, o governo gasta fortunas com as estatais, autarquias e fundações extintas desde 1990 pela reforma administrativa do ex-presidente Fernando Collor de Mello. Até o final de 1993, o Tesouro Nacional deverá perder Cr$129 trilhões-- quase US$4 bilhões-- com pagamento de dívidas internas e externas dessas empresas, que a União assumiu. Os recursos virão da remuneração dos saldos do Tesouro, dos resultados de operações financeiras do Banco Central e da emissão de títulos públicos. O governo extinguiu as empresas para economizar, mas não conseguiu desmobilizar seu patrimônio, que acabou transferido para outros órgãos. O saldo final foi a incorporação de dívidas. A "Extinbrás", como foi apelidado o programa de extinção do governo Collor, poderia garantir o pagamento, com troco, do reajuste de 147% aos aposentados. O governo federal também está tendo um prejuízo mensal de Cr$200 bilhões (cerca de US$5,9 milhões) com os 10.934 imóveis funcionais vendidos na administração Collor. O prejuízo acontece porque as prestações não estão sendo corrigidas de acordo com os reajustes concedidos aos servidores públicos (FSP) (JB).