O presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), dom Luciano Mendes de Almeida, pediu audiência com o presidente Itamar Franco no próximo dia 11, para entregar uma carta endereçada a ele pelo episcopado sobre fome, reforma agrária e seca. O documento foi aprovado ontem, em sessão reservada, pouco antes do encerramento da assembléia geral de Itaici (SP). A carta não será divulgada pela presidência da CNBB "por uma questão de respeito ao destinatário", como dom Luciano explicou aos bispos. Eles discutiram o texto no plenário, mas não receberam cópias da versão final. O conteúdo reflete as declarações publicadas pela assembléia sobre às mesmas questões, segundo três dos participantes da reunião. Paralelamente aos dois documentos sobre a ética-- tema de destaque das discussões--, os bispos divulgaram quatro mensagens mais curtas. A primeira delas é, ao mesmo tempo, uma mensagem de solidariedade ao povo nordestino e uma cobrança de medidas eficazes para o combate à seca. Apelamos às autoridades competentes para que estabeleçam um plano
73741 permanente para solução dos graves problemas do Nordeste e não apenas
73741 ações emergenciais, improvisadas, diz o texto. Outro documento diz que, uma reforma agrária ampla e justa, seguida de adequada política
73741 agrícola, desconcentrará, ao mesmo tempo, a terra, a renda e o poder,
73741 diminuirá a violência no campo, o êxodo rural e, em consequência, o
73741 inchaço das nossas cidades. Os bispos alertam também para a necessidade de recursos hídricos, como açuces, barragens, poços, cisternas, perenização de rios e armazenamento subterrâneo de águas pluviais. Eles sugerem iniciativas de reflorestamento e de irrigação, mas não encamparam uma proposta de transposição de águas do Rio São Francisco para a região semi-árida do Nordeste. Numa moção de defesa da Constituição, o episcopado afirma que o atual Congresso não pode valer-se da revisão constitucional para fazer mudanças apressadas. Isto deixaria a perder o rico patrimônio conseguido pelo esforço conjunto da nação na última Constituinte", alerta o texto. "Nosso receio é que, a pretexto de passar a limpo, se acabe passando a sujo a Constituição", disse o secretário-geral da CNBB, dom Celso Queiroz (JB).