Os preços agrícolas tiveram uma surpreendente reação em abril, mês de maior concentração da colheita de grãos e em plena safra da pecuária de corte. O boi gordo chegou a subir 33,9%, o feijão 83,7% e o milho 46,4%. O índice de preços ao produtor subiu 30,6%, pelo menos dois pontos percentuais acima dos índices gerais de preços da economia, segundo levantamento do economista Fernando Homem de Melo, da FIPE. Um comportamento pouco comum, já que, nesta época do ano de grande oferta, os produtos agrícolas costumam dar uma contribuição para reduzir as pressões inflacionárias. Mas, diante da expectativa de juros reais negativos na economia, os agentes do mercado parecem estar preferindo os agentes reais. Os produtores estão vendendo mais lentamente sua safra, buscando casar sua operação de venda com a compra de insumos para o novo plantio. Indústrias e atacadistas também mostram-se dispostos a carregar mais volume de estoques (GM).