ITAMARATY AVALIA CONFLITOS NO MERCOSUL

O subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, embaixador Rubens Barbosa, disse ontem que um dos problemas do Brasil em relação aos seus parceiros do MERCOSUL chama-se "custo Brasil". Ele criticou os grandes encargos sociais, alta carga tributária e juros altos. Para o embaixador, o grande mérito do MERCOSUL no ponto de vista brasileiro é antecipar o
73734 debate e chamar a atenção do governo e do setor privado, justamente para
73734 estes temas, pois caso contrário só iríamos discutir e nos preparar para
73734 a competitividade, quando a recessão passasse e o país voltasse a
73734 crescer. Os técnicos do Itamaraty comentam que o setor de bens de capital está bem encaminhado na integração do MERCOSUL, enquanto há alguns problemas na área de eletroeletrônica e agora recentemente, nos campos agrícola e de papel e celulose. Eles destacam também os progressos que têm sido feitos no setor de veículos e autopeças. O embaixador Rubens Barbosa disse que as constantes reuniões no âmbito do MERCOSUL têm servido para aplainar as dificuldades, o que deverá continuar a ser feito em junho com as reuniões do Grupo Mercado Comum e do Conselho, que no começo de julho terá a presença dos presidentes do Brasil, Uruguai, Argentina e Paraguai, em Assunção. O MERCOSUL continua sendo uma das mais importantes iniciativas do Brasil e do Cone Sul, "que está despertando muito interesse no Japão, EUA e Comunidade Européia", diz Barbosa. Ele não vê perigo para o MERCOSUL diante das recentes disputas entre Brasil e Argentina, lembrando que nos últimos dois anos dobrou o número de escritórios de empresários brasileiros e argentinos nos dois países, com estudos para 90 "joint ventures" em apenas oito meses do ano passado. Rubens Barbosa explicou ainda que um dos principais objetivos do MERCOSUL é alcançar a competitividade junto com a modernização da agricultura e do parque industrial na região (GM).