FIOCRUZ FARÁ LEVANTAMENTO DO QUE PODE SER PATENTEADO

O cientista Carlos Morel, presidente da FIOCRUZ (Fundação Oswaldo Cruz), lamentou ontem que a nova lei de propriedade industrial, que passa a proteger fármacos e produtos gerados por biotecnologia, tenha sido aprovada "numa época em que o sistema de ciência e tecnologia do país está desmantelado e passa pela pior crise de sua história, sem estar preparado para oferecer às empresas nacionais melhores condições para competir com as estrangeiras". Em sua opinião, o prazo de um ano para a nova lei entrar em vigor, conforme deverá ser aprovado nos próximos dias pela Câmara dos Deputados, é insuficiente para a preparação tecnológica do país e sua adequação às novas regras. Ele defende um prazo de pelo menos 10 anos-- como ocorreu no México e na Espanha-- para que a lei comece a vigorar. Apesar desse descompasso, a FIOCRUZ intensificará o trabalho de formação de profissionais especializados em gestão tecnológica, para a avaliação dos resultados "patentáveis" das pesquisas desenvolvidas por seus cientistas e para o encaminhamento dos pedidos de patente. Em 1991, a FIOCRUZ registrou cinco pedidos de patentes, entre elas o kit para diagnóstico da doença de Chagas. "Vamos acelerar nossas pesquisas em novos fármacos extraídos de protutos naturais", anunciou Morel (GM).