ANISTIA ACUSA POLÍCIA DE SONEGAR INFORMAÇÕES DO MASSACRE

A Anistia Internacional-- que divulgou ontem, em 70 países, o relatório sobre o massacre da Casa de Detenção de São Paulo, ocorrido em dois de outubro de 1992, quando 111 presos foram assassinados por policiais militares-- acusa a perícia técnica da Polícia Civil de recusar-se a fornecer provas dos exames de balística ao Tribunal de Justiça Militar. As provas poderiam apontar os autores das mortes. A apuração feita pela Anistia aponta que, de um total de aproximadamente mil projéteis, supostamente disparados, 515 foram encontrados nos corpos dos detentos mortos. "A seção de balística do Instituto de Criminalística informou aos responsáveis pelos inquéritos das Polícias Civil e Militar que, como levaria 76 anos para completar a comparação entre os projéteis extraídos dos corpos dos mortos e as armas usadas pelos 347 militares, essa comparação era impossível e não seria tentada. O que equivale a uma recusa de fornecimento de provas", diz o relatório. No documento a Anistia afirma que o governador Luiz Antônio Fleury (PMDB) e o ex-secretário da Segurança Pública, Pedro Franco de Campos, abdicaram de suas responsabilidades quando transmitiram à PM o controle
73719 total da prisão. O representante do secretariado da Anistia em Londres (Inglaterra), Francisco Panizza, apresentou o relatório ontem em São Paulo. Segundo ele, 25% do total de mortes violentas ocorridas em SP em 1991 foram causadas pela PM. "Quatorze dos oficiais que comandaram as operações na Detenção estão respondendo a processos na Justiça Militar por um total de 148 casos de homicídio ou tentativa de homicídio", revelou. A Anistia critica também a omissão de autoridades civis que estiveram na Casa de Detenção, como os três juízes da Corregedoria dos Presídios. Ao tomar conhecimento do relatório da Anistia Internacional, o governador Fleury disse que é "apenas uma versão. O relatório tem um conteúdo mais político" (O ESP) (O Globo) (FSP) (JB).