ARGENTINA IMPEDE ENTRADA DE BANANAS BRASILEIRAS

Trinta caminhões carregados com banana procedente de São Paulo estavam retidos, ontem, em Uruguaiana (RS), na fronteira do Brasil com a Argentina, sem poder ingressar em território vizinho. Outros 40 caminhões, segundo informações da fiscalização brasileira, já teriam retornado aos locais de origem, a maior parte cidades do Vale da Ribeira (SP). Cada carga vale Cr$200 milhões. O episódio faz parte da "guerra de frutas" desencadeada entre Brasil e Argentina. "Eles estão retaliando", opinou o agrônomo do Ministério da Agricultura em Uruguaiana, Carlos Henrique Garcia. A atitude argentina seria uma resposta ao bloqueio brasileiro das maçãs infestadas por lagartas. "Já impedimos a entrada de 15 cargas de maçãs nos últimos 30 dias", contou Garcia. O ministro da Agricultura, Lázaro Barbosa, disse que não vê motivo para a Argentina retaliar o Brasil, proibindo a importação de várias frutas brasileiras. O ministro argumentou que a restrição brasileira à maçã argentina não teve o objetivo de prejudicar o país vizinho, mas proteger os pomares brasileiros. Na opinião do presidente da Sociedade Rural Brasileira (SRB), Roberto Rodrigues, a crise entre o Brasil e a Argentina é decorrente do atraso na harmonização das políticas internas. Para ele, "o NAFTA é muito mais perigoso para o produtor brasileiro que o MERCOSUL". Os arrozeiros gaúchos decidiram ontem manter os bloqueios que impedem o ingresso de arroz importado da Argentina e do Uruguai até a noite do próximo dia 10. Eles estabeleceram um preço mínimo para o produto: Cr$319 mil por saca de 50 quilos de arroz em casca e Cr$484,3 mil por fardo de 30 quilos de arroz beneficiado. Caso o produto não esteja sendo comercializado dentro desta tabela, a carga, motorista e veículos serão retidos. Em Brasília (DF), o embaixador Rubens Barbosa, subsecretário de Assuntos Econômicos do Itamaraty, procurou minimizar os possíveis atritos com a Argentina. Ele garantiu que não há qualquer crise nas relações, mas apenas um problema conjuntural. O embaixador espera que tudo seja resolvido, "dentro da perspectiva de cooperação que estamos desenvolvendo" (JC) (GM).