As autorizações de empréstimos aos governos do Peru e do Equador para obras que deverão ser executadas pela Construtora Norberto Odebrecht reduziram as possibilidades de o ministro da Fazenda, Eliseu Resende, assumir também o controle do Ministério do Planejamento. A ministra do Planejamento, Yeda Crusius, entrega hoje ao presidente Itamar Franco sua carta de demissão. Com o desgaste de Resende, provocado pela suspeita de favorecimento à Odebrecht, da qual o ministro foi diretor por oito anos, o presidente Itamar desistiu da idéia de fundir os dois ministérios. O Planejamento poderá ser entregue ao ministro da Indústria e Comércio, José Eduardo de Andrade Vieira. Os empréstimos feitos ao Peru e ao Equador feriram normas do governo brasileiro. Defendida por Resende, a concessão de créditos fere norma do Comitê de Financiamento às Exportações que proíbe a aprovação de projeto para países que tenham débito com o Brasil, caso de Peru e Equador. Os empréstimos ignoraram recomendações do Banco Central e do Banco do Brasil, que manifestaram preocupação com a falta de garantias do governo peruano (O ESP) (FSP).