BARREIRAS NO COMÉRCIO COM A ARGENTINA

O Brasil proibiu, no final de março, a importação de maçã argentina alegando problemas fitossanitários. Uma semana depois, foi a vez dos argentinos utilizarem o mesmo argumento para proibir a entrada, em seu país, de banana, tomate, melancia, uva, mamão e melão produzidos no Brasil. Esse é o primeiro conflito grave entre os dois países, desde a criação do MERCOSUL, no qual são adotadas barreiras não tarifárias e envolvendo produtos agrícolas. Esse setor, como já era esperado, é dos mais problemáticos na integração regional. Os governos dos dois lados negam estar adotando restrições não tarifárias no comércio bilateral. No ano passado, o Brasil importou da Argentina o equivalente a US$60 milhões em maçãs e exportou, somente em bananas, um total de US$30 milhões. Tensões na área agrícola já eram esperadas pelo fato de os países do MERCOSUL competirem entre si em grande número de culturas. Neste momento, por exemplo, produtores do Rio Grande do Sul estão bloqueando estradas nas fronteiras com Uruguai e Argentina para impedir a entrada de arroz a preços mais baixos que seus custos de produção. Os países do MERCOSUL foram muito rápidos na abertura das fronteiras e redução de tarifas de importação. No entanto, pouco se fez, por exemplo, na harmonização de políticas fiscais. Os produtores do Sul questionam como enfrentar a concorrência de seus vizinhos que têm reduzida carga de impostos indiretos, como ICMS. Os efeitos dessa concorrência dentro do MERCOSUL dificilmente poderão ser evitados. Assim como a exportação brasileira de frango provocou protestos na Argentina, a melhor eficiência daquele país na produção de trigo tem colaborado fortemente para desincentivar o cultivo do cereal no país. O Brasil, que ja foi auto-suficiente, neste ano não deve colher mais de dois milhões de toneladas-- menos de um terço do consumo nacional (GM).