ODEBRECHT FOI BENEFICIADA PELO "ESQUEMA PC"

A Polícia Federal conseguiu reunir indícios de que o ex-presidente Fernando Collor teria favorecido a construtora baiana Norberto Odebrecht em financiamentos governamentais de obras em Angola. O inquérito que investigou as ligações da Odebrecht e da Construtora Sérvia, também da Bahia, com o "esquema PC Farias", encaminhado à 10a. Vara Federal, destaca haver coincidência entre as datas de pagamento de propina pela Odebrecht à EPC (empresa de Paulo César Farias) e da assinatura, por Collor, do Decreto 99.559, de 5 de outubro de 1990, que renova o acordo de cooperação entre Brasil e Angola. O inquérito revela que a Odebrecht pagou à EPC US$3,1 milhões, entre 24 de agosto e 5 de novembro de 1990. O decreto beneficou a empreiteira ao garantir as obras da Hidrelétrica de Capanda, ameaçadas de paralisação. "Mesmo diante do quadro recessivo, o presidente viabilizou a continuidade do Acordo (Brasil-Angola), favorecendo a Odebrecht, única empresa beneficiada com o cumprimento integral do Acordo de Cooperação", sustenta o delegado Carlos Silva, que conduz o inquérito (JB).