A construtora Norberto Odebrecht pagou uma dívida de US$400 mil do governo equatoriano ao Brasil para que o Tesouro Nacional pudesse liberar US$18,6 milhões, primeira parcela do financiamento de uma obra da empreiteira no Equador. A operação foi proposta à construtora pelo Ministério da Fazenda já na administração de Eliseu Resende, o que levou o Comitê de Financiamento às Exportações (CFE) a autorizar o desembolso em reunião no mês passado. O empréstimo-- num total de US$136 milhões, para construção de um aqueduto-- foi aprovado em abril de 1992, mas condicionava a liberação dos recursos ao pagamento de todas as dívidas do Equador com o país. Em janeiro deste ano, a Odebrecht, onde Eliseu trabalhou de 1983 a 1990, solicitou a liberação da primeira parcela, mas o Comitê negou o pedido alegando a dívida, que foi saldada com um depósito da empresa no Banco do Brasil. Na Comissão de Finanças da Câmara dos Deputados, o ministro Eliseu Resende afirmou, ontem, que o empréstimo de US$115 milhões que financiará uma obra de irrigação da Odebrecht no Peru é legal, mas negou ter participado da análise do financiamento, concedido também pelo CFE (JB) (O ESP).