O orçamento do Congresso Nacional prevê uma despesa de US$3,2 milhões (Cr$105 bilhões) com viagens de parlamentares ao exterior. Estes recursos seriam suficientes para que cada um dos 503 deputados federais e dos 81 senadores fizesse uma viagem por ano a Paris (França), com diárias de US$350,00 pelo período de 10 dias. A verba específica para viagens consta de forma disfarçada do orçamento do Congresso. Ela faz parte do título Assistencia a entidades privadas, com a seguinte descrição: Proporcionar auxílio a entidades privadas sem fins lucrativos, a fim de
73647 que possam cumprir suas missões filantrópicas, educativas e culturais. A verba é destinada a "entidades de intercâmbio legislativo, parlamentar e político". As entidades "filantrópicas" são o Grupo Brasileiro de União Interparlamentar, a Associação Interparlamentar de Turismo e o Parlamento Latino-Americano (Parlatino). Como são realmente entidades privadas, organizadas pelos parlamentares, não podem contar com receitas orçamentárias. Mas recebem de forma indireta os recursos do Tesouro Nacional. O orçamento da Câmara é mais apertado do que o do Senado Federal porque o número de deputados é maior. A divisão dos Cr$59,3 bilhões previstos no orçamento resulta em Cr$118 milhões (US$3,6 mil) para cada deputado. Seriam duas viagens a Paris, sem direito à diária de US$350,00. Os Cr$46,3 bilhões do Senado resultam em Cr$572 milhões para cada senador. Seriam seis viagens a Paris, com mais 17 diárias (FSP).