O jornal venezuelano "El Universal" divulgou ontem um documento da Câmara dos Deputados da Venezuela que acusa o Brasil de planejar invadir a fronteira que divide os dois países. Elaborado no dia 28 de abril por uma comissão de parlamentares que estuda o problema de garimpos ilegais na fronteira, o documento cita o projeto Calha Norte como o instrumento que propiciaria a invasão de 80 mil garimpeiros brasileiros em território venezuelano, estimulados por programas de desenvolvimento. Segundo o jornal, os parlamentares se basearam em dados do comandante-geral da Guarda Nacional, Francisco Redon, e concluíram que o projeto Calha Norte consiste em invadir uma faixa de 1.495 Km de fronteira. Ontem, o chanceler venezuelano, Fernando Ochoa, minimizou a denúncia dos parlamentares, classificando a questão como ultrapassada. O ministro das Relações Exteriores, Fernando Henrique Cardoso, irá à Venezuela este mês, para tratar da questão do garimpo ilegal na fronteira. O Centro de Comunicação Social do Exército (Cecomcex) contestou a notícia do jornal. Para o órgão, as informações são completamente infundadas. Para o conselheiro da Embaixada do Brasil na Venezuela, Dante Coelho de Lima, os meios de comunicação interpretaram mal os projetos brasileiros para promover o desenvolvimento no Norte do país. Segundo ele, o Calha Norte é um programa de integração fronteiriça com os países vizinhos do Brasil. O projeto Calha Norte, elaborado durante o governo Sarney pelo Conselho de Segurança Nacional (CSN), começou a ser executado para "proteger" os 6,5 mil Km de fronteira ao Norte do país, através da instalação de bases militares. A área caracterizada como Calha Norte abrange 1,2 milhão de Km quadrados numa faixa de 160 Km ao longo da fronteira do Brasil com as Guianas, o Suriname, a Venezuela e a Colômbia (O Globo).