O governo brasileiro, através da FUNAI (Fundação Nacional do Índio), tem à sua disposição US$3 milhões para a demarcação de terras indígenas no Amapá e em Mato Grosso. Os recursos ainda não chegaram ao país porque o BIRD (Banco Mundial), repassador do financiamento liberado pelo governo da Alemanha a fundo perdido, não recebeu do governo brasileiro o programa de assistência de saúde aos índios, exigido como complementação ao projeto. A denúncia foi feita ontem, em Nova Iorque (EUA), pelo cacique Waiwai e pelo líder Kumai, ambos da tribo Waiapi. Eles denunciaram a iminência de invasão de suas terras, no Estado do Amapá, e reclamaram da lentidão das autoridades brasileiras em apresentar ao BIRD a finalização do projeto para a concretização do repasse das verbas cedidas pela Alemanha. Vinte e quatro índios foram assassinados em 1992 no Brasil, parte deles em conflitos com outros índios. No ano passado, 305 índios morreram vítimas de doenças contraídas no contato com os brancos. As estatísticas são do CIMI (Conselho Indigenista Missionário) e constam de um documento sobre a situação dos 250 mil índios brasileiros distribuído ontem na 31a. Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil). O documento afirma ainda que o orçamento da União "contemplou apenas 10% das verbas necessárias para a demarcação das terras indígenas. Das 510 áreas indígenas reconhecidas oficialmente, só 272 estão demarcadas. De acordo com a Constituição, as áreas deverão ser demarcadas até outubro próximo (O Globo) (FSP).