Ao detalhar ontem pela primeira vez a nova política dos EUA para a América Latina, o vice-secretário de Estado, Clifton Wharton, manifestou o apoio do governo do presidente Bill Clinton às reformas econômicas em implantação na parte sul do continente e deixou de fora o presidente Itamar Franco da relação de líderes políticos mais admirados por Washington e o Brasil do grupo de "tigres" do continente latino-americano. Com o México se modernizando, com o Chile crescendo a 9%, com a Argentina
73631 desfrutando uma moeda saudável e altos níveis de investimentos, com a
73631 Colômbia preparando-se para desenvolver o maior novo campo de petróleo do
73631 mundo, é tempo para começar a falar sobre os tigres latinos, disse Wharton. O vice-secretário falou numa conferência intitulada "A América Latina e os EUA: a agenda da administração Clinton". O Brasil também foi ignorado nos discursos do subsecretário-assistente do Departamento de Estado para Assuntos Interamericanos, Bernard Aronson, e do secretário do Tesouro Lloyd Bentsen. A conferência foi 23a. reunião anual sobre as relações dos EUA com a América Latina promovida pelo Conselho das Américas e reuniu autoridades e líderes empresariais. Durante o encontro foi apresentada a estratégia norte-americana para a América Latina, que é a seguinte: Direitos Humanos-- "os direitos humanos constituem o âmago da política externa. Os EUA irão direcionar sua ajuda e influência em todas as formas possíveis para assegurar às nações deste hemisfério o respeito aos direitos humanos e o fortalecimento das instituições democráticas que promovam o domínio da lei". Corrupção-- "Nós queremos dividir nossa experiência para ajudar os governos democráticos a lutar contra a corrupção e outros abusos de poder". Agenda-- os principais compromissos com a América Latina são "fortalecer as instituições democráticas, defender os direitos humanos, lutar pela justiça social, apoiar reformas econômicas e mercados livres e proteger o meio ambiente". ONGs-- na sua assistência a outros países, o governo Clinton pretende aumentar o papel das sociedades civis, prestigiando as Organizações Não- Governamentais. "Esses grupos governamentais são vitais para a genuína democracia". NAFTA-- a implementação do acordo de livre comércio com o México e Canadá é o principal objetivo da pauta econômica de Clinton para o hemisfério. Haiti-- o governo Clinton considera Ilegal" o atual regime no poder no Haiti e defende o retorno do presidente Jean Bertrand Aristide. Cuba-- "Nossa política é recusar apoio à ditadura de (Fidel) Castro e ao mesmo tempo abrir a porta para uma Cuba democrática". Narcotráfico-- o governo Clinton pretende ajudar os governos da região no combate ao narcotráfico. Militares-- além de apoiar os esforços das nações latino-americanas "para estabelecer uma firme autoridade civil sobre as forças armadas", o novo governo dos EUA quer os exércitos do hemisfério integrando forças internacionais de paz. Outro ponto central do discurso de Clifton Wharton foi o argumento de que as medidas econômicas internas adotadas pelo presidente Clinton beneficiam a América Latina. Segundo ele, a redução das taxas de juros de longo prazo que resultou da boa aceitação pelo mercado do Plano Clinton vai reduzir em US$2 bilhões anuais o pagamento dos serviços da dívida externa latino-americana (JB) (FSP).