Um grupo de religiosos, de representantes da Comissão Pastoral da Terra (CPT) e do Movimento Estadual dos Trabalhadores Sem-Terra do Paraná iniciou ontem jejum que deve durar até o próximo dia seis em repúdio ao trabalho escravo no país. No dia seis, o coordenador estadual da CPT, Darci Frigo, irá a julgamento por cime de calúnia, em processo movido contra ele pelo deputado federal Luciano Pizzatto (PFL-PR), acusado por Frigo de ter mantido 20 menores em regime de escravidão em uma fazenda de reflorestamento, em 1984. Hoje, devem se engajar ao jejum o bispo auxiliar de Curitiba (PR), dom Ladislau Biernaski, e o padre Ricardo Resende, de Rio Maria (PA). Dois dos menores que teriam trabalhado na fazenda Guatambu, em 1984, sob as ordens de Pizzatto, também fazem parte do grupo que está jejuando. Segundo a CPT, o número de pessoas submetidas a trabalho escravo no país passou de 4.881 em 1991 para 16.440 no ano passado (JC).