O procurador-geral da República, Aristides Junqueira, enviou ontem um ofício à Procuradoria da República no Rio Grande do Sul solicitando providências contra os movimentos separatistas na região Sul do país. Aristides lembra no ofício que qualquer tentativa de desmembrar o território brasileiro é crime contra a segurança nacional, previsto na Lei 7.170/83. O artigo 11 dessa lei afirma que constitui crime contra a segurança nacional "desmembrar parte do território nacional para constituir nação independente". O movimento separatista "Meu País é o Sul" vem crescendo no Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Líderes políticos regionais defendem várias formas de separação da região Sul do território nacional. Os grupos que já conseguiram maior adesão pregam um novo país formado por esses três estados. Há outro grupo que deseja apenas a separação do Estado do Rio Grande do Sul ("República do Pampa Gaúcho"). Seus defensores argumentam que o estado é economicamente viável se puder contar com todos os recursos de sua produção agrícola e industrial e não tiver que dividir impostos com outros estados da nação. No RS há ainda um outro movimento que prega a divisão do estado em dois. Assim, seria criado o Estado do Piratini, cuja capital seria Pelotas. O bispo de Santa Cruz do Sul (RS), dom Sinesio Bohn, criticou ontem o separatismo, dizendo que "há um risco de guerra civil se não tratarmos isso". Segundo ele, em cuja diocese está sediado o mais ativo dos movimentos do gênero, o tema já gerou conflitos armados no passado. Dom Sinesio disse que, com "o fim da luta ideológica, é mais fácil submeter os pequenos países", o que estaria incentivando interesses internacionais a financiar ambições separatistas (FSP).