Uma legião de 40 mil crianças e adolescentes com idades entre 10 e 17 anos voltam hoje, com o início da safra de açúcar na região Centro-Sul, aos canaviais do interior de São Paulo para reiniciar uma atividade considerada ilegal pelo Estatuto da Infância e do Adolescente: o corte da cana. A maioria deles vai para a lavoura acompanha pelos próprios pais e e irmãos para uma jornada de trabalho nunca inferior a 10 horas diárias e que exige bastante esforço físico. As últimas estatísticas do IBGE e da Fundação SEADE revelam que os bóias-frias mirins em São Paulo eram, em 1990, 223 mil, um número que, na avaliação dos pesquisadores, cresceu nos últimos anos devido à crise econômica. Eles estão espalhados por todas as regiões do estado e trabalham em todos os tipos de lavoura, dos grãos à laranja, da cana à pecuária (O ESP).