Crianças a partir de nove anos aspiram cola de sapateiro até 10 horas por dia durante o trabalho em microindústrias de fundo de quintal na cidade de Franca (SP). Repetem um hábito comum entre os meninos de ruas das grandes cidades, que usam a cola para se drogar ou "enganar" a fome. As crianças aspiram a colta durante trabalho de colagem de sapatos nas pequenas empresas caseiras. Os sapatos são colados e costurados em "bancas" de profissionais autônomos e depois montados nas grandes indústrias. As bancas que contratam crianças-- sem registro em carteira-- funcionam às escondidas em garagens, quintais e áreas de serviço. São empresas nas quais trabalham o marido, a mulher, filhos e vizinhos. A Constituição proíbe o trabalho para menores de 14 anos. O trabalho das crianças de Franca é relatado em documento do departamento de Políticas Sociais da Central Única dos Trabalhadores (CUT), a partir de pesquisa feita em convênio com a Organização Internacional do Trabalho (OIT). A OIT desenvolve no Brasil atualmente o Projeto pela Eliminação do Trabalho Infantil. A pesquisa tenta identificar o número de bancas existentes na cidade e o número de crianças envolvidas no trabalho. Segundo o levantamento, a maioria das crianças que trabalham nas bancas de sapato de Franca não consegue fazer os deveres de escola e estudam com uma defasagem mínima de dois anos na escola (FSP).