O sociólogo Herbert de Souza, o Betinho, secretário-executivo do IBASE e coordenador do programa de combate à fome, reuniu-se, no último dia 29 com o presidente do Banco do Brasil, Alcir Calliari, e com representantes de fundações e associações do banco para tratar do engajamento da instituição no programa. Foi apresentada a proposta de um mutirão entre os 110 mil funcionários do BB em todo o país para pôr fim a uma realidade indigesta: a miséria de 32 milhões de brasileiros. Além de traçar os mapas da fome e da produção no país-- especificando por estado o estoque de oferta e demanda e da produção de gêneros alimentícios básicos-- o Plano de Combate à Fome e à Miséria enumera nove compromissos imediatos, firmados pelo BB para consolidar o projeto. Sugere ainda que os funcionários das cinco mil agências do banco colaborem com iniciativas próprias. A superintendência regional do BB em Pernambuco, por exemplo, informou que vai propor aos funcionários do estado a doação de um tíquete-refeição por mês-- calculado em Cr$100 mil por pessoa-- para comprar e distribuir gêneros alimentícios às comunidades carentes da região. A idéia foi bem recebida pela direção do BB, que gostaria de vê-la ampliada para todo o corpo funcional-- o que propiciaria uma arrecadação de Cr$11 bilhões mensais, de uma única ação. A superintendência do banco no Ceará abriu, no mês passado, uma conta a fim de angariar recursos para a campanha SOS Seca. E nos dois últimos meses, através da doação de dois tíquetes-refeição por pessoa, 500 bancários do Município de Caruaru conseguiram distribuir 250 cestas básicas entre sete localizadas da zona rural. Na parte centralizada das ações estão os pontos listados para o BB cumprir: 1) o banco se compromete a "ampliar o atendimento de comunidades através do Programa BB-Educar (alfabetização de jovens e adultos pela ação voluntária dos funcionários), 2) realizar campanhas de sensibilização de clientes e funcionários, através de mensagens em extratos e avisos de crédito, 3) apoiar programas para proporcionar acesso à terra pelos trabalhadores rurais, 4) aperfeiçoar o Programa Bolsa de Arrendamento de Terras, 5) expandir a Rede de Armazéns Gerais credenciados pelo BB, 6) implantar programas para aproximar pequenos produtores e empresas consumidoras de seus produtos, 7) incrementar negócios através das bolsas de mercadorias, 8) viabilizar novas fontes de recursos a juros baixos e prazos longos para financiar investimentos, e 9) criar grupo para formular e acompanhar projetos de participação do banco e funcionários no plano (JB) (O Globo).