BRASIL GANHA 1.061 DESEMPREGADOS POR HORA

De janeiro de 1990 a fevereiro deste ano, o Ministério do Trabalho registrou 20,2 milhões de demissões no setor formal da economia. O número reflete a reação das empresas à recessão econômica e traduz o drama do trabalhador brasileiro: nos últimos três anos, se não perdeu seu emprego, ele assistiu aos seus companheiros de trabalho serem despedidos a uma proporção de 1.061 por hora útil ou 25.455 por dia útil ou, ainda, 531.213 por mês. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Recursos Humanos (ABRH), Carlos Alberto Barbosa, as empresas estão cortando também no meio da pirâmide, eliminando cargos ocupados por profissionais de nível superior que se prepararam ao longo da década de 80 e que hoje ajudam a inchar o setor informal da economia. O drama dos desempregados bate ainda nas portas das agências de empregos. Agentes de recrutamento de pessoal calculam que cada agência está recebendo, em média, dois mil currículos por mês, todos de profissionais com qualificação e cansados de procurar trabalho. O economista André Urani, do Instituto de Pesquisas e Economia Aplicada (IPEA), revela que nos três últimos anos houve uma queda de 8% na participação dos trabalhadores com carteira assinada na força de trabalho do país. De cada 100 desempregados dos anos 90, 47 tornaram-se trabalhadores sem carteira, 41 passaram a vender bens ou serviços e 12 ficaram efetivamente sem trabalhar (JB).