A 31a. Assembléia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que acontece em Idaiatuba (SP), divulga nos próximos dias um relatório preparado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), que aponta as polícias estaduais e a Justiça como coniventes com os grileiros na promoção da violência no campo. Segundo o relatório, a Polícia Militar foi acionada 130 vezes em 1992 para despejar ou expulsar lavradores sem- terra. Em 17 delas, a PM teria agido em conjunto com pistoleiros e fazendeiros. Em 92, houve 81 ocupações de terra no país, e 6.001 famílias de sem-terra foram retiradas por ordem da Justiça. Outras 1.644 famílias foram expulsas por fazendeiros. O relatório diz que a polícia e a Justiça são parciais e atuam contra os sem-terra. O documento registra 35 assassinatos no campo em 92, contra 46 em 1991. O documento aponta que há uma "união muito forte" entre policiais, pistoleiros e fazendeiros, havendo casos de policiais que atuam como pistoleiros, bem como
73595 pistoleiros que se vestem como policiais. Segundo o documento, em fevereiro de 91, 115 famílias foram expulsas da fazenda Lindóia, em Iragiba (BA), por policiais militares em conjunto com o gerente da fazenda e pistoleiros. Eles não tinham mandado judicial. Em outro documento, a CPT afirma que aumentou o trabalho escravo no Brasil. Em 92, 16.442 pessoas foram submetidas a trabalho em regime de escravidão, contra 4.803 em 91 (crescimento de 236%). Na região Sudeste, a mais desenvolvida do país, foram registrados 2.004 casos de trabalho escravo. No Nordeste, 2.360 casos. O Centro-Oeste do país registrou 8.413 casos. No Sul, houve 3.500, e no Norte, 165 casos (FSP).