Um estudo divulgado ontem pelo Banco Mundial (BIRD) mostra que a proporção da população brasileira que está na pobreza é cada dia maior: 40,9% das pessoas no Brasil sobreviviam com pouco menos de US$2,00 por dia em 1989 (o dado mais recente). Em 1980 esse número era de 34%. E mais: 18,7% dos brasileiros estavam vivendo na pobreza absoluta em 1989. Em 1984 essa faixa equivalia a 12,2% da população. A estimativa é de que o quadro é ainda mais grave hoje. Segundo o BIRD, o número de pobres no Brasil é o dobro do existente no México-- embora a renda per capita dos brasileiros seja maior que a dos mexicanos. O documento do Banco Mundial diz que "falhas na política macroeconômica, particularmente na política fiscal, provocaram um mau desempenho do Brasil-- resultando no aumento da pobreza no final da década passada". De acordo com o BIRD, o Brasil teve um crescimento sustentável e conseguiu reduzir a pobreza entre 1960 e 1980: o índice caiu de 56% para 22%. A partir de então, ela só vem crescendo. O estudo do BIRD revela ainda que cerca de 1,1 bilhão de pessoas vivem na miséria absoluta em todo o mundo, ganhando menos de um dólar por dia, situação que tende a continuar. A proporção de miseráveis diminuiu no Sul e no Leste da Ásia e na região do Oceano Pacífico, mas aumentou no Oriente Médio, Norte da África, América Latina e na região do Mar do Caribe. Na África negra, ficou inalterada. O presidente do BIRD, Lewis Preston, pediu aos países ricos que criem um fundo de US$18 bilhões para emprestar dinheiro sem juros aos países pobres (O Globo) (JB).