Chegou a 15.538 o número de famílias de trabalhadores rurais sem-terra ocupando áreas no país no ano passado. Esse número é superior aos apurados em 1991 e 1990. Em 90, no primeiro ano de mandato do ex-presidente Fernando Collor, havia 8.234 famílias de sem-terra ocupando áreas à espera de assentamento. De lá para cá, o aumento foi de quase 100%. Essas informações serão divulgadas hoje durante a 31a. Assembléia Geral da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Itaici (SP). O acompanhamento de conflitos de terra no país é feito de forma sistemática pela CPT (Comissão Pastoral da Terra). O número de famílias que ocuparam terras no ano passado só fica atrás do balanço de 1989. Naquele ano, último do mandato do ex-presidente José Sarney, 16.030 famílias ocupavam terras no país. Ainda assim, o ano passado foi recordista em número de áreas ocupadas: 81 localidades contra 80 em 1989. A CPT registrou no ano passado 361 conflitos entre trabalhadores sem-terra e proprietários rurais e/ou autoridades governamentais. Estiveram envolvidas nesses conflitos 154.223 pessoas. A área mais beligerante do país foi a região Nordeste, com 145 conflitos, seguida da Norte, com 86 disputas. A maioria das ocupações realizadas no ano passado foi feita sob a coordenação do MST (Movimento dos Sem-Terra). Não há números atuais para o país inteiro, mas o MST estima em 4,8 milhões o número de famílias sem-terra no Brasil. No mês passado, segundo o MST, houve mais oito ocupações no país (FSP).