O governo vai mudar o cálculo da Taxa Referencial de Juros (TR). Ela passará a ser fixada diariamente, com base na média dos juros dos Certificados de Depósito Bancário (CDBs), e não mais levando em conta apenas a média dos seis primeiros dias do mês. Assim, o Banco Central não será mais forçado a fixar no início do mês uma TR muito alta, o que estimulava a inflação. A expectativa é que, com a queda da inflação, os juros reais sejam reduzidos de 19% para 13,5%. Foi anunciado ainda ontem o alongamento da dívida interna, através da troca dos Bônus do Banco Central (BBCs), que têm prazo de resgate de 28 dias, por Notas do Tesouro Nacional (NTNs), com prazo de 15 meses. A previsão é de queda na rentabilidade das aplicações financeiras, à exceção da poupança. A reação do mercado financeiro às medidas anunciadas pelo governo foi a seguinte: as bolsas de valores subiram 4% no Rio de Janeiro e 6,35% em São Paulo; o dólar no mercado paralelo caiu de Cr$34.600,00 para Cr$34.500,00- - sem a intervenção do BC--; e os juros dos CDBs de 30 dias recuaram de 3.330% ao ano para 3.150%. O ministro da Fazenda, Eliseu Resende, viajou ontem para os EUA, onde tentará um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), a partir do plano econômico anunciado no último dia 24. O programa prevê para este ano um superávit primário de 3,9% do Produto Interno Bruto (PIB)-- receitas menos despesas sem os juros das dívidas interna e externa-- e a eliminação do déficit operacional-- inclui os juros-- nas contas públicas. Para zerar o déficit operacional, que ficou em 2,45% do PIB em 1992, o ministro trabalha com dois pressupostos. O primeiro é um corte de US$14 bilhões nos investimentos previstos no Orçamento Geral da União. O segundo é a redução de 18,7% nas despesas líquidas da União com pagamento dos juros das dívidas interna (de US$8,8 bilhões em 1992 para US$6,3 bilhões este ano) e externa (de US$8,4 bilhões para US$6,8 bilhões, respectivamente) (O Globo).