Só daqui a 30 dias entrarão em vigor as mudanças determinadas pelo presidente Itamar Franco para redução dos juros em aplicações de curto prazo. O governo decidiu conceder o prazo para que o mercado se adapte às novas regras, embutidas no programa de estabilização econômica anunciado dia 24 pelo presidente da República, que não quer juros positivos (acima da inflação) remunerando as aplicações de "overnight" (entre instituições financeiras). Ontem, o ministro da Fazenda, Eliseu Resende, informou que não mudam as regras do "fundão", dos Certificados de Depósitos Bancários e das cadernetas de poupança. O governo vai destinar apenas US$2,2 bilhões (0,5% do Produto Interno Bruto) para os chamados programas prioritários. Este montante representa um crescimento nos investimentos de 20,4% em relação ao orçamento de 1992, apesar de o presidente Itamar ter anunciado que os cortes de despesas em outras áreas foram feitos para gerar receita para investimentos. Na verdade, o esforço do Ministério da Fazenda para gerar receita destina-se ao pagamento dos juros das dívidas interna e externa. São US$8,3 bilhões adicionais, em relação a 1992. No total, as despesas com juros chegam a US$16,4 bilhões (3,9% do PIB), ou 103% mais do que os pagos em 1992. O programa de estabilização do governo é ainda uma carta de intenções que só atingirá a maioria de suas metas se obtiver o apoio dos parlamentares e dos governadores. A principal batalha começa hoje, quando será iniciada a negociação do corte de US$13 bilhões no orçamento deste ano. O programa habitacional para a população de baixa renda, por exemplo, depende integralmente do apoio dos parlamentares, pois suas verbas (US$720 milhões) virão da receita do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), ainda não regulamentado pelo Congresso Nacional (JB) (FSP) (O Globo).