Diferenças de gosto entre os consumidores e de funcionamento entre os mercados dos países que integram o MERCOSUL estão dificultando as políticas de produção agrícola da região. O tema será objeto de debate no 5o. Encontro Regional de Mercados Hortifrutigranjeiros, que será realizado no Uruguai, entre quatro e seis de maio, com a participação do Brasil, da Argentina e do Paraguai. O presidente da Comissão Administradora do Mercado Modelo, principal centro de distribuição hortifrutigranjeira do Uruguai, Rogelio Modernell, acredita que as diferenças de gosto entre os consumidores impossibilitam o estabelecimento de normas rígidas de controle de qualidade para a produção. Ele explicou que os consumidores brasileiros preferem, por exemplo, as batatas de polpa amarela, enquanto os produtores uruguaios cultivam as de polpa branca, de maior rendimento por hectare. "Se os uruguaios quiserem colher batatas de polpa amarela serão obrigados a mudar a maior parte da produção nacional", afirmou. Rogelio Modernell disse também que os consumidores argentinos preferem limões e maçãs de tamanho maior do que os produzidos no Uruguai, enquanto os paraguaios não se preocupam com o tamanho ou o sabor das frutas, mas com sua cor. Modernell mostrou-se favorável ao estabelecimento de normas rígidas para os mercados internos, como garantia à saúde e à produção, mas de apenas algumas normas gerais para a região, de forma a não atrapalhar o comércio. Operadores dos quatro países-membros do MERCOSUL vêm trabalhando também de forma conjunta para criar um serviço de informação que permita a transmissão semanal de preços regionais dos hortifrutigranjeiros. Para que isto ocorra será realizada, antes do encontro de maio, uma reunião de especialistas em informática, para desenvolver os sistemas de intercomunicação (JC).