No início dos anos 70, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o maior banco de desenvolvimento do Terceiro Mundo, ficou conhecido por concentrar os seus financiamentos em empresas paulistas de grande porte. As cláusulas desses contratos eram tão generosas que parte do dinheiro era simplesmente doado: de cada Cr$100, a companhia era obrigada a pagar apenas Cr$80. Vinte anos depois, o banco volta a seguir a mesma direção, só que agora, em nome da modernidade, criou uma linha de crédito para que as mesmas empresas, algumas em dificuldades, possam se reestruturar. Criado em junho de 1992, o Programa de Reestruturação e Racionalização Empresarial, em menos de dois meses, liberou US$56 milhões. Entre as mesmas empresas que recorreram ao banco nos anos 70 e agora estão as paulistas Villares e Votorantim. E coube ao governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury Filho (PMDB), indicar o empresário Luiz Carlos Delben Leite para a presidência do BNDES. Não é por coincidência também que o Estado de São Paulo é hoje o maior inadimplente: em fins de 92, a dívida vencida atingia US$600 milhões. Na gaveta do BNDES está um pedido de financiamento de US$50 milhões do grupo Votorantim. O pleito já recebeu o sinal verde. Não se trata, porém, de um crédito para expansão, a exemplo do que ocorria na década de 70. O dinheiro servirá para que o grupo, que tem um faturamento anual de US$3 bilhões, acabe de pagar a compra da empresa Papel Simão. Quer dizer, em um negócio privado que envolve US$190 milhões, o dinheiro público entra com mais da quarta parte. O grupo Villares, por sua vez, conseguiu US$25 milhões do BNDES para, juntamente com a General Electric e o Banco Safra, instalar uma fábrica de motores elétricos em Campinas. O investimento total do projeto era de US$30 milhões. Portanto, os recursos do banco financiaram quase a totalidade do empreendimento (O Globo).