A MISÉRIA EM SÃO PAULO

Fruto de mutações sócio-econômicas, novas espécies de homens, adaptados às contingências da crise, vagam hoje pela maior e mais rica cidade do país: São Paulo. Sujos, maltrapilhos, famintos, multiplicam-se e incorporam novas denominações aos habitantes da cidade. Os cerca de 100 mil habitantes que vive sem energia elétrica são chamados "homens- morcego", e os que vivem nos charcos ganharam o apelido de "homens- jacaré"-- são cerca de 1,7 milhão de habitantes da Grande São Paulo que vivem em condições precárias de moradia. No centro da cidade, as moradias não-convencionais são instaladas de um dia para outro, em locais como viadutos e passarelas. Ali, os chamados "homens-caruncho"-- numa alusão ao inseto que escava buracos-- aninham-se de noite entre fendas do concreto. Segundo dados da Pastoral da Moradia, já são pelo menos seis mil os habitantes das ruas na região central da cidade. Escondida em buracos cavados na terra, a indigência muitas vezes passa despercebida em São Paulo. Os "homens-tatu" cavam sob viadutos "sepulturas" onde se escondem. O processo de deterioração das atividades produtivas já alijou do trabalho cerca de 15% da população economicamente ativa da Grande São Paulo. Hoje, os desempregados somam mais de 1,1 milhão de pessoas. A desigualdade na distribuição de renda revela também a outra face da metrópole. Seis em cada 10 habitantes da Grande São Paulo ganham menos de cinco salários-mínimos por mês (Cr$8,5 milhões). Cerca de 11% da população ocupada maior de 10 anos recebe menos de um mínimo (Cr$1,7 milhão). O topo da pirâmede social, endereço dos que têm renda mensal superior a 20 mínimos (Cr$34 milhões), é habitada por apenas 6,3% da população. Na faixa dos remediados, aqueles que ganham entre cinco e 20 mínimos, vive menos de um terço dos paulistanos (O Globo) (O ESP).