Apesar de já ter recebido, nos últimos três meses, 180 denúncias de corrupção, o governo Itamar Franco não tomou a iniciativa de transformar nenhum desses processos em inquérito policial. O governo age de acordo com o estilo do presidente da República, hesitante e com indiferença quando resolve vincular as denúncias de corrupção com questões políticas. Criada em janeiro último, a Ouvidoria-Geral da República tem funcionado como um dique para conter as marés de lama que invadem com frequência a Esplanada dos Ministérios. Nesses casos, Itamar tem recomendado moderação a seus auxiliares. "Agimos com prudência para não correr o risco de referendar uma calúnia", justifica o secretário-executivo da Ouvidoria- Geral, advogado Galba Menegale. De acordo com ele, as investigações da Ouvidoria, tratadas como sigilosas, não originaram inquéritos na Polícia Federal porque estão sendo feitas em ritmo lento. "Somente três pessoas analisam os processos", explica. Essa inoperância transformou o Palácio do Planalto em alvo de críticas de governadores e parlamentares (O ESP).