Mais de 100 milhões de crianças vivem nas ruas em todo o mundo e pelo menos a metade delas consome drogas. Essa constatação é da Organização Mundial de Saúde (OMS). O órgão divulgou ontem os resultados de um estudo realizado com menores, com idades entre 10 e 18 anos, em 10 cidades de vários países, entre elas o Rio de Janeiro (RJ). O documento alerta para a possibilidade de as crianças de rua se transformarem num importante fator de disseminação da AIDS em todo o mundo. "O percentual de crianças de rua que utilizam drogas varia entre 33%, como foi constatado em Lusaka (Zâmbia), e quase 100%, como é o caso do Rio de Janeiro", disse o economista Hans Emblad, coordenador do estudo. Os tipos de tóxicos consumidos pelos menores também dependem das facilidades de serem obtidos. O álcool é usado quase que universalmente. Em seguida estão os solventes e a cola de sapateiro. Depois, maconha, remédios de diversos tipos e drogas mais perigosas e caras, como a cocaína e heroína. Outro dado revelado pela pesquisa é que as autoridades, assim como a maioria das instituições de atendimento a menores de rua, tedem a ignorar totalmente o problema dos tóxicos. "Os meninos de rua roubam para sobreviver, mas roubam também para comprar drogas", comenta Hans. "As drogas facilitam também a exploração das crianças de várias formas, tanto sendo transformadas em traficantes, vigias de quadrilhas ou levadas à prostituição", disse. Segundo o documento, o envolvimento com o crime é consequência do isolamento das crianças de rua pela sociedade, que tende a considerá-las como malfeitores, que devem ser presas ou simplesmente eliminadas por grupos de extermínio. A pesquisa revelou ainda que, no Rio de Janeiro, 55% dos menores entrevistados já pensaram em suicidar-se (O ESP) (O Globo).