Dias atrás, ao final de uma visita de uma semana aos EUA, o presidente do PT, Luís Inácio Lula da Silva, disse que essa viagem tinha lhe trazido uma grande surpresa: "Os líderes sindicais norte-americanos estão começando a fazer o discurso que eu já fazia 20 anos atrás", disse. Ontem, uma missão da Confederação Nacional dos Bancários (CNB) e da Central Única dos Trabalhadores (CUT), liderada por João Vaccari Neto, secretário-geral da CNB, acabou encarnando a surpresa de Lula. Os brasileiros receberam um pedido de ajuda da United Food and Comercial Workers (UFCW), a central sindical que representa os bancários dos EUA. Eles querem que a CUT e a CNB colaborem no sentido de fazer com que os bancários dos EUA entrem para o sindicato da classe. Dos dois milhões de trabalhadores desse setor no país, apenas 10 mil são sindicalizados. "O pessoal dessa área aqui ignora os benefícios de um contrato coletivo de trabalho. Há um grande medo, porque embora a lei local proíba a demissão de grevistas, ela permite que o empregador contrate fura-greves permanentemente", disse Stanley Gacek, diretor da UFCW. Sérgio Ferreira, do Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas (IBASE), que fazia parte da delegação, contou que o potencial para a mudança de quadro é grande nos EUA, devido à atual crise econômica e também ao acordo de livre comércio com o México e o Canadá, o NAFTA. O salário mensal de um caixa de banco é de US$1 mil, pouco acima do salário-mínimo local (cerca de US$800), e a metade do salário de um caixa de supermercado sindicalizado (O Globo).