República e presidencialismo venceram por larga margem o plebiscito realizado ontem sobre forma e sistema de governo, segundo a estimativa de boca de urna dos institutos de pesquisas. IBOPE", "Gallup" e "DataFolha" registraram o mínimo de 57% (IBOPE") para o presidencialismo e o máximo de 26% ("DataFolha") para o parlamentarismo. A república poderá chegar a 71% dos votos ("DataFolha"); a monarquia, a 14,8% ("Gallup"). A abstenção foi grande em todo o país e, somada aos votos em branco e nulos, ajuda a compor um índice de rejeição ao plebiscito estimado em 50%. No início da madrugada, apurados 8,3% dos votos pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a república tinha 68,9% contra 10% da monarquia; o presidencialismo vencia com 58,7%, contra 23,9% do parlamentarismo. Pesquisa do "DataFolha" sobre a intenção de voto para a sucessão presidencial indica a seguinte colocação: Luís Inácio Lula da Silva (PT) lidera com 22%; Paulo Maluf (PPR), tem 15%; e Leonel Brizola (PDT), 14%. Em seguida aparece José Sarney (PMDB), com 9%; Orestes Quércia (PMDB), com 6%; Tasso Jereissati (PSDB), com 5%; e Antônio Carlos Magalhães (PFL), com 4%. O presidente Itamar Franco disse que o governo divulga na reunião ministerial do próximo dia 24 medidas que visam "alterar a ordem econômica", mas que não trarão "surpresas". Após votar no parlamentarismo, afirmou que o "governo não pode esperar a revisão constitucional" para fazer as mudanças, ao contrário do que havia dito o ministro da Fazenda, Eliseu Resende. Itamar disse que quer comandar a reforma constitucional. "Serei o líder da revisão e não medirei esforços para realizá-la em outubro, no prazo da Constituição de 1988", disse. Uma comissão coordenada pelo ministro da Justiça, Maurício Corrêa, vai negociar os interesses do governo na reforma da Carta. O presidente Itamar Franco apontou o plebiscito como um divisor de águas no sistema de sustentação do governo e pediu aos parlamentares que o apóiam para "colocar as faces de fora" e ajudar o governo de forma clara, não apenas na sobra. Ele garantiu que não mudará rumos. "O governo já é de transição", disse (O ESP) (JB) (FSP) (O Globo).