UNICAMP É ACUSADA DE LESAR MULHERES

O livro "As Rotas do Norplant - Desvios da Contracepção", da médica sanitarista Giselle Israel e da socióloga Solange Dacach, lançado ontem no Rio de Janeiro (RJ), acusa a UNICAMP (Universidade de Campinas-SP) de ter usado 3.544 mulheres como "cobaias" de um anticoncepcional sem assistência médica. As voluntárias teriam apresentado problemas de saúde. As autoras analisam pesquisa coordenada a partir de 1984 pela UNICAMP, que envolveu 21 centros de saúde brasileiros. O anticoncepcional Norplant é composto de seis bastões plásticos que são inseridos sob a pele, na parte interna do antebraço, para impedir a gravidez durante cinco anos. O Norplant contém um tipo de progesterona que, implantado no antebraço, libera cargas diárias na mulher, impedindo a ovulação. O processo é similar ao da pípula, mas seus efeitos colaterais ainda são discutidos. As críticas contidas no livro se concentram em três pontos: 1) a pesquisa da UNICAMP fez de mulheres brasileiras "cobaias" para o anticoncepcional; 2) mais do que caráter científico, ela objetiva fazer o marketing do produto no país; 3) as mulheres, a maioria de baixa renda, não tiveram o acompanhamento médico necessário e sofreram sequelas diversas (FSP).