O presidente nacional do Partido dos Trabalhadores (PT), Luís Inácio Lula da Silva, teve ontem em Washington reunião com o subsecretário do Tesouro dos EUA, Lawrence Summers, descrita pelo seu assessor Marco Aurélio Garcia como "muito azeda". Lula, que cumpre programa de candidato em Washington, contestou a sugestão de Summers de que o Brasil precisa seguir o modelo da Argentina, México e Chile para recuperar a sua economia. Em entrevista a jornalistas brasileiros, explicou sua opinião: "Summers tem muito a ver com os modelos econômicos que o Brasil tem adotado nos últimos 13 anos, todos cumprindo a receita do FMI, com o resultado apenas de aumentar a inflação e a recessão". Lula disse ter argumentado com o subsecretário que o Brasil não pode ser comparado com os outros três países por causa de sua "forte vocação industrial" e pelo tamanho de sua economia. Sobre a lei de patentes e a possibilidade de retaliações comerciais dos EUA contra o Brasil, Lula declarou que o país "não pode se submeter aos caprichos de quem hoje detém o controle da tecnologia" e que é preciso "alguma flexibilidade". Apesar dos problemas com Summers, Lula disse esperar que o governo Bill Clinton tenha "uma posição mais democrática com a América Latina" (FSP) (JB).