O governo federal despejou US$709,9 milhões em projetos de irrigação que nunca levaram uma gota de água para plantações no Nordeste. A maior parte desse dinheiro saiu de Brasília entre 1988 e 1989, com recursos do Departamento Nacional de Obras de Saneamento (DNOS), que foi extinto em 1990. Levantamento da Secretaria Nacional de Irrigação, órgão que assumiu há três anos a responsabilidade pelos projetos, aponta a existência de pelo menos 40 obras esquecidas ou semi-paralisadas. O sucateamento dos projetos já representa um prejuízo de pelo menos US$150 milhões. Além de não levar a água prometida há seis anos, esse conjunto de obras só fez piorar a vida das pessoas que deveriam ser beneficiadas. "A devastação das matas e os estragos causados no solo deixaram os moradores sem os poucos meios de sobrevivência que possuíam", disse o agrônomo Wilmar Klein, gerente do projeto São Bernardo, no Maranhão. O governo despachou de 1987 a 1989-- quando a obra foi paralisada-- pelo menos US$80 milhões para este projeto. Uma comunidade de 10 mil pessoas poderia ter sido beneficiada com uma área de 18 mil hectares irrigada. O projeto aproveitaria água do rio Parnaíba, que fica somente a um quilômetro do local. "É um crime esse desperdício. A água do rio continua correndo apenas para o mar", denuncia o agrônomo. A história deste projeto é a mesma de outros 39 abandonados no sertão (FSP).