TSE ESPERA ABSTENÇÃO RECORDE NO PLEBISCITO

Um estudo feito por assessores do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostra que o índice de abstenção no plebiscito de amanhã deverá chegar a 15% do eleitorado-- 50% a mais que o das duas últimas eleições. O estudo servirá de base para o pronunciamento do presidente do TSE, Paulo Brossard, hoje à noite em cadeia nacional de rádio e TV. Ele vai pedir aos eleitores que não se abstenham. O levantamento indica ainda que outros 10% do eleitorado deixarão os votos em branco diante das opções entre monarquia e república, presidencialismo e parlamentarismo. E mais 5% anularão seus votos. Os votos válidos ficariam restritos a cerca de 65 milhões de eleitores, de um total de 90 milhões. Desses, 39 milhões deverão optar por um sistema de governo. O plebiscito seria definido por menos da metade do eleitorado que tende, segundo pesquisas de opinião, a optar pela manutenção do presidencialismo. As campanhas do plebiscito terminaram ontem da mesma forma como começaram: sem nenhum entusiasmo. Mesmo os políticos, empenhados em pregar suas crenças, reconhecem que a consulta popular é precipitada e que, qualquer que seja o resultado da votação de amanhã, em nada afetará s situação do país. Principalmente porque o presidencialismo, sistema vigente, é o grande favorito, segundo as pesquisas de opinião. Nenhum partido sairá mais marcado do plebiscito do que o PSDB. Parlamentaristas de carteirinha, os tucanos foram os maiores responsáveis pela inclusão da consulta nas Disposições Transitórias da Constituição de 1988 e, no ano passado, pela antecipação de sua data, originalmente prevista para 7 de setembro. Com a derrota do parlamentarismo, o partido enfrentará o desafio de lançar um nome à sucessão de Itamar Franco, em 1994, ou fazer um acordo com o PT, à esquerda, ou ainda buscar uma alternativa no centro, que poderia ser o governador de São Paulo, Luiz Antônio Fleury (PMDB). Derrotados nas urnas segundo as pesquisas de opinião, os parlamentaristas querem agora impor aos presidencialistas a idéia de um referendo em 1998. O presidente da Frente Parlamentarista Ulysses Guimarães, senador José Richa (PSDB-PR), faz articulações para introduzir, na revisão constitucional, a realização de um referendo em que a população diria, ao final do próximo governo, se quer continuar com o presidencialismo (O ESP) (O Globo) (FSP).