O gigantesco pronto-socorro em que se transformou o Brasil, com o ataque simultâneo de doenças como a cólera, malária, dengue e hanseníase, tem uma razão principal: a falta de saneamento básico. No ano passado, o setor público gastou cerca de US$11 bilhões para tentar curar o imenso contingente de doentes que existe no país. Foram mais de 560 milhões de consultas em hospitais e postos de saúde mantidos pelo governo federal, estadual ou municipal, que resultaram em 13,6 milhões de internações. Em 80% das consultas e 65% das internações, a causa fundamental foi a falta de água potável e esgotos. A estimativa é de que, a cada ano, o governo gaste US$2,5 bilhões para tratar de moléstias diretamente provocadas pelas péssimas condições em que vive a maior parte da população brasileira. A síntese da miséria-- da qual a fome é um componente-- pode ser observada em um levantamento realizado pela Associação Brasileira de Engenharia Sanitária e Ambiental (ABES): são 92% os municípios sem tratamento de esgotos; 59% sem destino final para o lixo; e 58% sem água tratada. A falta de saneamento básico faz com que, a cada minuto, os hospitais da rede pública de todo o país atendam a três pacientes com diarréia infecciosa, doença responsável por uma em cada 10 internações. Na região Norte, a moléstia aparece como a principal causa de óbitos, enquanto no Nordeste perde apenas para as doenças vasculares localizadas no cérebro. Em 1992 foram registrados 1,5 milhão de casos de diarréia infecciosa, com 45 mil mortes (O ESP).