O governo perde Cr$43 trilhões (US$1,3 bilhão) por ano com a Indústria da doença". As fraudes de médicos e hospitais conveniados com o governo incluem cesarianas em homens, operações de fimose em mulheres e até cirurgias cardíacas em defuntos. Em março, as fraudes atingiram Cr$3,6 trilhões (US$110 milhões). O rombo foi apurado em investigação feita por auditores do Instituto Nacional de Assistência Médica e Previdência Social (INAMPS) e coordenada pelo deputado federal Jackson Pereira (PSDB- CE). Os documentos também já foram entregues ao presidente Itamar Franco. O relatório diz que as fraudes desviam pelo menos 30% dos recursos distribuídos pelo governo federal aos estados e municípios para saúde. O governo repassa aos estados e municípios Cr$10,6 trilhões por mês para atendimento médico e ambulatorial. Deste total, os atendimentos ambulatoriais representam Cr$4 trilhões por mês. O trabalho dos auditores diz que este percentual demonstra "superfaturamento" nos serviços. Segundo a auditoria, pelo menos 20% dos atendimentos ambulatoriais são para "pacientes fantasmas". Jackson Pereira diz que uma das fraudes mais comuns é a cirurgia acumulada. Segundo ele, "uma paciente entra no hospital para fazer uma curetagem e sai transformada em uma mulher biônica, depois de ter operado rim, fígado, coração e outros órgãos". O documento, resultado de um mês de investigações em todos os estados, denuncia o caso de um médico que recebe mensalmente US$35 mil (Cr$1,1 bilhão) por atendimentos fraudulentos a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). Para chegar a este valor, seria necessário fazer até 500 cirurgias em um mês (FSP).