As 163 empresas estatais, no seu conjunto, apresentam um estoque de endividamento (interno e externo) superior ao total do patrimônio líquido e uma taxa de retorno, medida pelo lucro líquido, incompatível com o tamanho do patrimônio. Uma situação econômico-financeira que reforça a tese da ampliação do programa de privatização, defendida pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento. A dívida total das estatais cresceu de US$74,21 bilhões (1991) para US$87 bilhões (1992), segundo dados do Departamento de Empresas Estatais (DEST), vinculado ao Ministério do Planejamento. O patrimônio líquido que era de US$83,24 bilhões caiu para US$80 bilhões, no mesmo período. A dívida vencida, que era de US$20,32 bilhões em 91, foi reduzida para US$17 bilhões no ano passado, com o pagamento de débitos em empréstimos internos. A dívida vencida era de 41,3% com bancos internos, 29,3% com credores externos, 6% com o Tesouro (em contribuições e impostos), além de empreiteiras (4,2%) e com outras estatais (14,3%). Em 1992, a redução do estoque de débitos vencidos só se deu no pagamento de empréstimos internos. Entre os anos de 1990 e 1992, as estatais diminuíram seu quadro de pessoal, que passou de 572.260 funcionários para 476.745. A despesa com a folha de pagamento passou de 2,25% do PIB para 2,08%. Mas os gastos com salários devem, neste ano, saltar para 2,5% do PIB, com os acordos coletivos generosos a partir de setembro cujos custos serão sentidos no decorrer deste exercício (GM).