SETOR PREVÊ EQUILÍBRIO NO COMÉRCIO DE COURO

O mercado de couros tende a se manter estável, em termos mundiais, pelo menos num período entre cinco a 10 anos, graças ao equilíbrio entre a oferta e a demanda. Foi o que previu ontem, em Gramado (RS), John Kopany, presidente do curtume Cidec, da Argentina, ex-presidente do International Council of Tanner (ITC) e atual conselheiro da entidade. A longo prazo o ciclo de abate de gado deverá se encurtar, o que proporcionará maior oferta de matéria-prima. Isso compensará a maior demanda, em especial por couros de maior valor agregado, acrescentou. Para Kopany, o cronograma do MERCOSUL "é uma ilusão latino-americana". Segundo ele, quando o Tratado de Assunção foi assinado, em março de 1991, os governantes previram uma redução progressiva das assimetrias existentes entre os quatro sócios. O que aconteceu de lá para cá, no entanto, foi que as assimetrias se ampliaram, em especial entre o Brasil e a Argentina. "O Brasil está com economia instável e alta inflação, enquanto a Argentina tem a economia mais estável, com moeda ancorada no dólar. Cada vez mais os dois países se distanciam e as possibilidades de intercâmbio livre são cada vez mais difíceis", disse. Apenas no setor de couros o Brasil importou no ano passado da Argentina o equivalente a US$100 milhões, o que representou uma evolução de 20% em comparação aos últimos três anos. O Brasil dispõe de um rebanho de 140 milhões de cabeças e processa 22 milhões de couros por ano, uma sexta parte do rebanho bovino. A Artentina, com 54 milhões de cabeças, aproveita 12 milhões de peles por ano. O país destina sete milhões de peles (30%) para o mercado externo. A Argentina exporta oito milhões em couros acabados e semi-acabados, sendo 20% para o Brasil (GM).