A DIFÍCIL PADRONIZAÇÃO DE QUALIDADE NO MERCOSUL

A padronização das normas de qualidade de alimentos no MERCOSUL dificilmente estará concluída até o início do funcionamento da zona de livre comércio (1o. de janeiro de 1995), pois as legislações do Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai são muito diferentes, assim como o estágio tecnológico da indústria de alimentação entre os parceiros é muito discrepante. A previsão foi feita ontem, em Porto Alegre (RS), pelo assessor da vice-presidência industrial da Sadia, Roberto Moretti, no Simpósio Internacional de Qualidade de Alimentos. Segundo ele, embora os subgrupos 3 (que trata das normas técnicas) e 8 (política agrícola) do MERCOSUL venham se encontrando regularmente, as reuniões do Conasur (conselho dos ministérios da Agricultura dos quatro países mais o Chile) são muito esparsas e marcadas pela lentidão. "As normas de fiscalização do controle de qualidade de alimentos são acertadas pelo Conasur, e apenas na área de produtos derivados de carne, de 20 produtos considerados prioritários, somente quatro (presunto cozido e cru, salsicha e mortadela) foram discutidos desde julho passado até agora", exemplificou. A impossibilidade de legislação comum na área também foi mencionada pelo diretor do Laboratório Tecnológico do Uruguai (Latu), Roberto Tenconi, ao relatar que em seu país o controle de qualidade de produtos lácteos segue uma legislação mais rígida para as exportações e uma mais flexível, elaborada pelos municípios, para os produtos de consumo interno (GM).