LÍDERES POLÍTICOS E CIVIS QUEREM FISCALIZAR O GOVERNO

Uma comissão com representantes do Congresso Nacional e da sociedade civil vai assumir o comando das soluções para a crise social do país, para evitar desvios de verbas públicas e garantir que os programas do governo não fiquem apenas no papel. "Pelo menos 16% do Orçamento da União são destinados a projetos assistencialistas e muito pouco chega aos que precisam desse dinheiro. Vamos tentar reverter esse quadro", disse um dos parlamentares que participaram da reunião, no último dia 14, na sede da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em Brasília (DF), para definir a estratégia de moralização do país. "A CPI do PC lutou pela ética na política, agora é a vez dessas mesmas pessoas lutarem pela ética no campo social", comparou o parlamentar. Participam dessa Frente pela Cidadania, como está sendo chamada, parlamentares de diferentes partidos, a CUT (Central Única dos Trabalhadores), a OAB (Ordem dos Advogados do Brasil), a CNBB e o CRUB (Conselho de Reitores das Universidades Brasileiras). Os políticos e as entidades aderiram ao Programa de Combate à Fome, organizado pelo sociólogo e secretário-executivo do IBASE, Herbert de Souza, para assegurar a lisura da aplicação de recursos. A Frente pela Cidadania vai buscar nos armazéns da CONAB, em todo o país, os alimentos estocados pelo governo que muitas vezes apodrecem sem chegar aos pobres. A idéia é criar feiras livres de alimentos que saiam diretamente do produtor para o consumidor, negociando com prefeitos e governadores uma política de redução de impostos. Uma comissão municipal fiscalizaria o andamento do programa e os parlamentares se encarregariam de perguntar a prefeitos se as verbas estão chegando regularmente e se estão sendo aplicadas. "O meu mandato só tem sendito se eu exercê-lo em favor da população", reconheceu o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), um dos articuladores da Frente. O sociólogo Herbert de Souza emocionou os participantes da reunião, ao responder a um discurso desiludido do senador Almir Gabriel (PSDB-PA), depois de tomar dois comprimidos que completam seu tratamento com AZT. Não costumo usar minha condição de aidético, senador. Se marcam um
73387 compromisso para setembro, dentro de mil vem a força para que eu esteja
73387 vivo até lá. Não costumo olhar para trás, porque lembro que a médica
73387 que fez meu diagnóstico de AIDS, morreu três semanas depois, em acidente
73387 de automóvel. Ela, certamente, achava que iria a meu enterro. Por isso,
73387 quero andar para a frente, senador, disse Betinho (JB).