A usina nuclear de Angra 1, em Angra dos Reis (RJ), fechada desde o dia cinco de março, não deve ser reaberta até a avaliação do risco de ocorrerem fissuras em componentes do reator. Essa é a conclusão de um relatório assinado pelos físicos Luís Pinguelli Rosa, Fernando de Souza Barros e Odair Gonçalves, do Grupo de Acompanhamento da Questão Nuclear no Fórum de Ciência e Cultura da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), divulgado ontem. Segundo os físicos, o reator não deve ser religado sem análise técnica adequada de todos os fatores em jogo. A organização ecológica Greenpeace acusou a empresa Furnas Centrais Elétricas, que opera a usina, de tentar esconder da população os problemas técnicos ocorridos no início de março, quando houve aumento anormal de radiação no circuito primário do reator. Furnas comunicou que o fechamento da usina seria para manutenção preventiva. Depois da denúncia da Greenpeace, a empresa admitiu o acidente. O deputado federal Fábio Feldman (PSDB-SP) está propondo a realização de um plebiscito para decidir sobre o funcionamento da usina nuclear de Angra 1 e a continuidade das obras de Angra 2. Pela proposta, participariam da consulta popular todos os eleitores dos municípios e áreas de influência das duas usinas e também os moradores das regiões que poderão ser afetados no caso de um acidente nuclear (JB) (JC).